Lady Snowblood
Filme de época de 1973, Lady Snowblood segue Yuki, uma mulher treinada fadada ao destino de assassina visando vingar a vida da sua família.
Se o enredo parecer com algum outro filme estadunidense de um diretor com fetiche em pé, saiba que é comprovado que ele foi uma grande base para o filme Kill Bill.
Tem muita cena de ação e a ambientação de filmes de samurais da época.

Baseado em uma série de mangás de mesmo nome, a produção foi de baixo custo mesmo para a época, então, efeitos eram feitos principalmente por meio de cortes e bonecos ao invés de dublês. Porém, o jogo de câmeras foi o suficiente para dar o ar que queriam para cada momento, sendo carregado pela atuação do elenco.
Falando por experiência própria, a obra segue a linha padrão de filmes japoneses sobre samurais, o final pode ser interpretado como agridoce e violento.
A história mostra uma personagem movida pela vingança já que mesmo o seu nascimento aconteceu pela sua mãe querer ir atrás de quem a estuprou e matou seu marido e filho. Treinando desde pequena, parece que ela não tem mais objetivos de vida, mas em poucas cenas se mostra alguém com compaixão e com emoções que precisou esconder a fim de não ter mais nenhuma fraqueza em sua vida que poderia a levar a interromper seu objetivo de vida.
Algo que existe dentro do filme é a fala de como Yuki é uma asura, um espírito que veio movido pela sede por violência desprovido de emoções quase um semideus. Treinada por um monge do templo para lutar corpo a corpo com maestria, todos ao redor de Yuki durante seu crescimento frisa que ela foi feita para ser uma assassina e não deveria ter mais nada.

De todas as narrativas sobre vingança, este filme mostra algo muito claro que é o fato da vingança ser quase um ciclo. Se tem morte, pode ter um sistema muito complexo onde não existe apenas uma vítima, pode ter gente que queira ir atrás de quem matou também por vingança.
(spoiler) Dentro do filme, vimos várias personagens que buscam a vingança por atos que as afetaram, mas não a ponto delas não puderem seguir a vida após o ato. Temos a Yuki que nasceu e cresceu para vingar sua família. Temos Kobue, filha de um dos alvos de Yuki, que, mesmo com o pai alcoólatra que colocou a família em dívidas a ponto dela ter que se prostituir, jurou vingar sua morte indo atrás de Yuki. E o mais nebuloso, mas sutil em sua narrativa, é Ryurei, filho de um dos alvos de Yuki, mas que, diferente de Kobue, jurou que ajudaria Yuki na sua vingança contra o próprio pai, sabendo de todas as suas ações cruéis e que retirou sua filiação a ele 10 anos antes da trama original.

O final mostra Yuki ferida e sangrando com os golpes que seu último alvo e Kobue deram nela. Yuki caída sobre uma pilha grossa de neve acaba por gritar enquanto segura a neve ensanguentada nas mãos e fecha os olhos, talvez esperando pela sua morte por hemorragia. Porém, na manhã seguinte, ela se levanta, sem a sua base branca igual a neve no rosto. Talvez essa seja a sina dela que nasceu para vingar, levou tantos outros para esse caminho de mortes, esperava que a sua missão de vida fosse a última coisa que faria, mas termina por ainda viver, agora sem o peso da vingança pela sua família.(fim de spoiler)
Mais do que qualquer outro filme sobre vingança, Lady Snowblood mostra uma mulher fadada a ir por este caminho, desde o começo ela nunca teve escolha. Sinceramente, esse fator dá um aspecto especial à narrativa, crueldade que não se tem hoje em dia.
Concluindo, gostei bastante de Lady Snowblood, adorei como a narrativa foi construída, mesmo que corrida, e gostei das reviravoltas e reflexões que o filme provê.