Matou a família e foi ao cinema


Citado na lista dos 100 melhores filmes brasileiros pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) em 2016, o filme de 1969 mostra diferentes histórias onde a morte se mostra a resolução para os conflitos, ápice dos seus momentos de paixão. Não confundir ele com o outro filme de mesmo nome lançado em 1991, o mais recente é uma nova versão do filme de 1969 sendo dirigido pelo mesmo diretor.
O enredo é simples como seu títulos, um homem mata seus pais e depois vai ao cinema onde se depara com diversos curta-metragens onde se mostra a morte de diferentes personagens como ponto final de cada história.
Ele é classificado como drama e não apresenta efeitos especiais, porém utilizam os cortes e perspectivas a seu favor na construção de cada narrativa.

Quanto à fotografia, o enquadramento de várias cenas me deixou bem imerso, feito de uma maneira que transmitia o sentimento das personagens e da cena.


Com relação à dosagem de violência no geral, eu achei boa, pensei que ficaria com agonia, porém me senti mais calmo pois foi feito de maneira mais amena do que esperava para um filme thriller. O mistério do que era real e ilusão deu um gosto a mais que me deixou bem satisfeito e traduziu de forma incrível o desespero de Mima ao confrontar as expectativas da sua nova carreira com o fantasma de sua vida como idol. A culpa também que ela sente por tudo que estava acontecendo e sendo refletida de maneira visual foi uma pegada muito boa para colocar o público na mente da Mima.
Digo isso pois posterguei muito a assistir ao filme por pensar que seria o ponto maior da trama ou que seria revisitada mais vezes, mas não é. Eu achei meio difícil, mas não penso que tenha me afetado tanto quanto imaginava.
Além do mais, como eu disse, essa é uma versão mais exagerada do que realmente acontece com idols, principalmente mulheres. A mostra da sexualidade dela foi o ponto em que mostra que ela tem a autonomia de uma mulher adulta que tem suas próprias vontades, diferente do que muitos pregam até hoje em espaços online.
Mesmo que o filme seja do final dos anos 90, ele se mantém muito atual com as atitudes que muitos fãs tem com os idols, não restritamente mas principalmente os de K-pop.
Enfim, de maneira geral, o filme mostra bem como a realidade opera junto com a ficção. Por se tratar de um thriller, o choque da revelação foi bem feito em vários aspectos pois explica uma base importante para o filme inteiro. Recomendo bastante para quem gosta desse tipo de filme que mexe com o psicológico para além das questões pessoais.